Olá, Cirandeira! 

Um grande desafio em viagens com crianças pequenas é a manutenção do ritmo. Nós precisamos de ritmo, e a criança do primeiro setênio, em especial, também o necessita. Propiciar à criança uma rotina equilibrada de modo que o seu dia seja dividido como uma respiração: contração, pausa e expansão. É essencial que essa organização aconteça sempre no mesmo horário: acordar, tomar um café da manhã com a família, socialização na escola ou no parque, lanchar, cochilar, almoçar, tirar a soneca da tarde, brincar livre no parque, tomar um banho, jantar e dormir entre às 19h e às 20h, aproveitando os hormônios que atuam a favor do bom sono e do crescimento da criança.

Devemos seguir essa rotina nos mesmos horários, todos os dias da semana, durante o ano todo. Isso trará segurança, paz interna, conexão e confiança na criança em relação ao adulto que está cuidando dela. Além disso, a criança perceberá o mundo de forma boa, relaxando e vivenciando as suas experiências diárias.

A pedagogia Waldorf preconiza que ensinemos a criança a respirar, cuidando dos momentos de contração, pausa e expansão durante o seu dia. A imagem do passarinho que acorda ao nascer do sol e vai dormir quando o sol se põe dialoga bem com o ciclo das crianças. A mais, o olhar cuidadoso na criança precisa continuar principalmente durante as férias, pois a tendência desse momento faz com que relaxemos, não seguindo o horário das refeições, da pausa para o descanso diurno e do sono noturno.

Viagem e ritmo

Amo estar com crianças, e mesmo nas minhas férias estou sempre acompanhada por elas. Em uma viagem que realizei com crianças, pude observar como nós (adultos) entramos no modo “de conhecer tudo em pouco tempo”. São muitas informações, muito conteúdo e pouco tempo para apreciação e conexão com o novo que chega, e aí pronto: uma viagem com muitas impressões sensoriais, mas com pouco tempo para reflexão do que aconteceu naquele dia.

Em geral, os adultos ficam no movimento de corre daqui, corre para lá. E quando as crianças querem e necessitam parar, o adulto não dá a devida atenção. E o pior de tudo são os adultos cansados que, se esqueceram de olhar para os pequenos que devem estar mais cansados que eles. As crianças não conseguem processar bem e dizer o que está acontecendo internamente. E aí o caos acontece: cansaço, choro, brigas e consequentemente, perda de controle por parte dos adultos.

Precisamos nos conectar!

Isso significa parar e olhar para as crianças. Ver como elas estão.

Como estou organizando o ritmo diário?

Este passeio contempla essa criança?

Qual a idade dessa criança?

Neste passeio a criança poderá correr algum risco?

Como posso me preparar para orientar essa criança sobre riscos da viagem?

Será que precisamos mostrar o mundo com viagens longas e de muitas paradas para crianças pequenas? A criança pequena não tem e não deveria ter  consciência de que aquele lugar não é adequado para ela. Essa função é do adulto – pai e mãe.

A tensão já aparece durante diversas situações, mas descarregar depois nas crianças os receios não é a melhor escolha.

Não adianta olhar para a criança e reconhecer o quanto ela foi corajosa e forte por ter conseguido e, apresentar para a criança a insegurança e o medo com falas que desmotivam o grande esforço feito até ali: “nunca mais trago vocês numa viagem”, por exemplo.

Cabe ao adulto prever se é cabível, tanto pela faixa etária quanto pelo desenvolvimento do seu filho, se esse é o lugar ideal para a criança conhecer naquele momento. Mas se a viagem tem que acontecer e, o medo, a insegurança ou qualquer outra questão aparecer, conecte-se, encontre a sua criança interna na mesma idade do seu filho e pergunte-se: como eu era, agia, pensava e sentia nesta idade? A sua criança interna sempre terá a resposta.

A criança não está ali só imitando os gestos ou sua ação no mundo! Ela também está imitando algo que vai muito além. Ela se conecta com suas emoções e suas sensações. Isso vai além de ensinar boas maneiras.

Para terminar, deixo uma reflexão: em uma viagem, o que precisamos levar na bagagem interna? 

Reflita sobre isso tudo quando for planejar suas próximas férias!

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Abraço caloroso,

Jú (Juliana Couto Rosa)