Olá querida Cirandeira!

Gostaria de compartilhar com você algo que considero uma das questões mais complexas da maternidade. E acredito que seja proporcional ao número de filhos. O que não quer dizer que quem tem um filho só, tenha menos dificuldade. Na minha visão está mais relacionado com a nossa capacidade de observar e com a nossa prontidão em enxergar.

Falei, falei e não disse que coisa é essa, né? Rs…. é a INDIVIDUALIDADE. Explicarei melhor.
Meu marido é profissional de educação física e na área dele existe um preceito básico que é respeito à individualidade biológica, que trocando em miúdos quer dizer, respeite as características intrínsecas de cada pessoa.

Outro dia me peguei refletindo sobre isso e conclui que este também é um preceito básico na criação de filhos. O que funciona para um, não se aplica com o outro. As dificuldades de um, o outro “tira de letra”. Por isso não temos uma cartilha ou um manual quando a criança nasce!

E quando temos um primeiro filho, acreditamos que para o segundo estamos bem preparados… daí vem desafios e demandas que não existiam com o primeiro. E a gente surta…. em vários momentos. Se tem uma coisa que só se aprende na prática é criação de filhos, podemos ler todos os livros e participar de todas as cirandas, a verdade é: nunca estaremos prontas!

E convenhamos, esta é a magia da vida, né?

Mas tem algo que aprendi com estes dois seres que tenho o privilégio de acompanhar na vida que é OBSERVAR. Para observar, precisamos exercitar uma das tarefas mais difíceis atualmente: ESTAR PRESENTE.

Percebo que muitas mães e pais tem uma imagem idealizada de seus filhos, não conseguem enxergar seus defeitos e com certeza também não conseguem ter uma noção real das suas qualidades. O perigo desta imagem não real é que, não temos como ajudar nossos filhos a vencer os desafios se não sabemos suas reais dificuldades, e não temos como ajuda-los a desenvolver suas aptidões se não sabemos quais são seus talentos.

Entende como a falta de uma atitude simples pode tornar tudo tão complexo?

Minha filha mais velha, hoje com 12 anos, é super responsável, sonhadora, ponderada, faz suas tarefas sem que eu precise fiscalizar, tem um talento para música ímpar. Mas, em contrapartida, é acomodada, preguiçosa e tem alguns desafios sociais que se apresentaram desde muito cedo na sua vida. Tem uma tendência a se recolher, quando o mundo lhe parece hostil. E temos cuidado disto de perto desde muito cedo.

Meu caçula, com quase 5 anos, possui uma imaginação incrível, super disposto, ativo, alegre, movimenta a casa. Na outra polaridade é insistente demais e apresenta uns medos que lhe tolhem o impulso inicial, se mostra inseguro em alguns momentos e agitado em demasia em outros. Possui uma sensibilidade emocional muito grande, comum em crianças pequenas, mas temos visto que no caso dele, é meio fora da curva.

Este observar constante e atento, não é a solução para todos os nossos problemas. Mas percebe como nos dá conhecimento para possíveis atitudes mais acertadas?

Não precisamos necessariamente reservar um tempo do dia para OBSERVAR, precisamos criar em nós esta atitude, uma OBSERVAÇÃO ATIVA, que levará a uma reflexão mais profunda e nos auxiliará a intervir com sabedoria na educação dos nossos filhos.

Auto educar-se para educar.

Um abraço

Renata Andrade